A desmistificação da vida de campo | Demystification of the country life | Desmitificación de la vida en el campo

Há anos que dizemos que um dia queríamos ir viver para o campo. Que queremos estar tranquilos na nossa casinha, com a nossa horta e os nossos animais. Ter um lugar lindo para ter uma família, viver de forma auto sustentável e ecológica, em sintonia com a Natureza e os ritmos da vida em vez dos ritmos do calendário, dos dias da semana, do horário a cumprir, do trânsito…

a pastar

Foi uma ideia que levou o seu tempo a concretizar-se e que só agora teve o empurrão necessário para a tornar real, mas ainda falta aprender muita coisa. Podíamos ter feito como tanta gente faz e literalmente mudarmo-nos para o campo mas somos os primeiros a admitir que não sabemos sequer plantar uma batata! É urgente aprender primeiro para pelo menos ter alguma ideia do que é, de facto, viver no campo. Encontrámos esta estrada de tijolos verdes como forma de o poder fazer enquanto pelo caminho ajudamos outras pessoas que tiveram a mesma ideia que nós. Juntámos algo que gostávamos já, viajar, com algo em que sempre acreditámos, na sustentabilidade ambiental, e com um sonho que temos, ir viver para o campo.

Sabíamos à partida que viver no campo e do campo não é como se vê nos filmes, meninas de trancinhas loiras que bailam com as cabras pelos montes, sestas em planícies onde não há insectos, roupas pitorescas sempre impecavelmente limpas, uma avozinha adorável que cozinha todo o dia. Não, é melhor ainda.

exaustos

Quem baila nos montes são as cabras e são hilariantes, é cansativo levá-las a pastar mas as gargalhadas valem a pena; trancinhas loiras é difícil porque eu sou morena e o Leandro, bem, faria tranças com a barba; há milhões de insectos fantásticos de todas as cores, tamanhos, feitios e funções e não, eles não existem para nos picarem e sugarem-nos o cérebro (como cheguei a ouvir alguém descrever a função das aranhas neste planeta) antes pelo contrário, sem eles não haveria a vida que vemos à nossa volta; as roupas são pitorescas pela rapidez com que ganham uma tonalidade uniforme cor de terra e a terra não é sujo, é só terra.

Também sabíamos que se trabalha, literalmente, de sol a sol e que os animais não sabem o que é dormir até tarde ou que é domingo. As ervas daninhas não páram de crescer só porque não as queremos lá e a salada não vem parar à mesa sozinha, já embalada e lavada. A água não se deita fora, reutiliza-se, os restos não são lixo, são refeições gourmet para o porco ou os cães. As mãos ganham calos rapidamente e no fim do dia, acaba-se exausto mas feliz. Podemos dizer que não tivémos ainda nenhuma surpresa, tudo o que esperávamos está a acontecer. Acordamos com o sol e com os bons dias das vacas Rosalinda e Shiva, as burras Mafalda e Pepina, o príncipe Pupo e as outras 44 cabras, os 4 gansos barulhentos, as galinhas, o galo e os patos, mais os cães e o gato. Vamos com a Ruli e o Flavio ordenhar a Rosalinda e as cabras e tratar das limpezas matinais dos currais. Depois tomamos um delicioso pequeno almoço com leite fresquíssimo, pão e doces caseiros e café italiano.

Pôr do sol

Durante o dia o trabalho é duro e contínuo: levar as cabras a pastar, tarefas várias pela quinta, colheita de cardo e fazer queijo, tirar ervas daninhas da horta… Mas vale tanto a pena, mesmo. A energia que se dá é devolvida aumentada e não podíamos estar melhor, afinal é verdade que viver no campo é maravilhosamente cansativo e recompensador, traz uma alegria que quem conhece não quer outra coisa.

Joaninha com cor

For years we have been saying we want to go and live in the countryside. Have our own a country house, with our vegetable garden and our animals. Have a beautiful place to raise a family, be self sustainable and ecological, in tune with Nature and the rhythms of life instead of the rhythms of the calendar, the days of the week, the schedule to keep, the traffic… It was an idea that took its time to come true and only now it’s had the necessary push to become real, but there is still a lot to learn. We could have done what so many people do and literally move to the country but we are the first to admit, we can’t even plant a potato! It’s urgent to learn first so that, at least, we have some idea of what it all means, really. We found this green brick road as a way of doing just that while, at the same time, we can help others that have had the same idea we had. We put together something we already loved doing, traveling, with something we have always believed in, environmental sustainability, and our dream, to live in the countryside.

We knew from the start that life in the country and living from the country is usually not like you see in the movies, lovely blond girls with braided hair that dance with the goats on the meadows, taking long naps in plains that have no bugs, picturesque clothing always perfectly clean, a lovely grandmother that cooks all day… Nop, its even better. The goats are the ones that dance on the meadows and its hilarious, taking them out to graze is tiring but the laughs make it worth it; blond braids are difficult because I’m a brunette and Leandro, well, he would have to braid his beard; there are millions of fantastic bugs of all shapes, sizes, colours and purposes and no, they do not exist to sting you or suck your brain out (as I have heard someone describing why spiders exist on this planet) on the contrary, without them the life we see around us would not exist; clothing is picturesque because of the speed that they gain an uniform earthy tone, and earth-dirty is not dirty, its just earth. We also knew that we had to work, literally, from sunrise to sunset and that the animals do not know the meaning of sleeping in or sundays. Weeds do not stop growing just because we do not want them there and salad does not end up at the table by itself, packed and clean. Water is not wasted and leftovers are definitely not rubbish but gourmet meals for the pig or the dogs. Your hands gain calluses fairly quickly and at the end of the day your exhausted, but happy. 

We can say we haven’t had any surprises yet, so far all we had predicted is happening. We wake up with the sun and the good morning greeting of the cows Rosalinda and Shiva, the donkeys Mafalda and Pepina, prince Pupo and all the other 44 goats, 4 noisy geese, chickens, rooster and the ducks, plus all the dogs and the cat. We go milk Rosalinda and the goats and do the morning cleaning of the stables with Ruli and Flavio. After we have a delicious breakfast with the freshest milk possible, home made bread and marmalade and italian coffee. During the day the work is hard and continuous: taking the goats to graze, random tasks and jobs around the farm, picking thistle and cheese making, weeding… But it’s so worth it, really. The energy you put in is given back to you, enhanced and we could not be better, after all it’s true, living in the country is wonderfully tiring and fulfilling and it gives you a kind of joy that those who know it do not want anything else.

Joaninha com cor

Hace años que decimos que un día queremos ir a vivir al campo. Que queremos estar tranquilos en nuestra casita con nuestro huerto y animales. Tener un lugar lindo para crear una familia, vivir de forma auto sostenible y ecológica, en sintonía con la Naturaleza y los ritmos de la vida en vez de los ritmos del calendario, de los días de la semana, del horario a cumplir, del tráfico… Fue una idea que llevo su tiempo en concretarse y que solo ahora tuvo el empujón necesario para convertirse en realidad, pero todavía tenemos mucho que aprender. Podríamos haber hecho como muchos otros y literalmente irnos a vivir al campo pero somos los primeros en decir que no sabemos ni siquiera plantar una papa! Es urgente aprender primero para por lo menos tener alguna idea de lo que es, de hecho, vivir en el campo. Descubrimos esta ruta de ladrillos verdes como una manera de poder hacerlo mientras por el camino ayudamos a otros que tuvieron la misma idea que nosotros. Juntamos algo que nos gustaba mucho, viajar, con algo en que siempre creemos, la sustentabilidad ambiental, y con nuestro sueño, ir a vivir al campo.

Ya sabíamos de antemano que vivir en el campo y del campo no es como se ve en las películas, graciosas chicas rubias con el pelo entrenzado que bailan con las cabras por los campos, siestas en planicies donde no hay insectos, ropas pintorescas siempre perfectamente limpias, una abuelita adorable que cocina todo el dia. No, es mejor que eso. Quien baila en los campos son las cabras y son hilarantes, te cansa llevarlas a pastar pero son geniales; trenzas rubias es difícil porque yo soy morena y Leandro, bueno, tendría que hacer trenzas con la barba; hay millones de insectos fantásticos de todos los colores, tamaños, formas y con distintas funciones y no, no viven para hacerte mal o para chuparte el cerebro (cómo una vez escuché alguien describiendo porqué las arañas existían en este planeta), por lo contrario, sin ellos no habría la vida que vemos a nuestro alrededor; las ropas son pintorescas por la rapidez con que ganan un tono uniforme color tierra y la tierra no es suciedad, es solo tierra. También sabíamos que hay que trabajar de sol a sol y que los animales no saben que es dormir hasta tarde y que son lo domingos. Las malas hierbas no paran de crecer solo porque no las quieres ahí y la ensalada no aparece sola en la mesa, empaquetada y limpia. El agua no se desperdicia y los restos de comida no son basura, es comida gourmet para el chancho o los perros. Las manos ganan callos muy rápido y al final del día estas exhausto, pero feliz. 

Podemos decir que hasta ahora no tuvimos ninguna sorpresa, todo lo que esperábamos está aconteciendo. Nos despertamos con el sol y los buenos días de las vacas Rosalinda y Shiva, las burras Mafalda y Pepina, el príncipe Pupo y las otras 44 cabras, los 4 gansos ruidosos, las gallinas, el galo y los patos, más los perros y el gato. Vamos con Ruli y Flavio a ordeñar a Rosalinda y las cabras y hacer las tareas de limpieza matinal de los corrales. Después nos espera un delicioso desayuno con la leche más fresca posible, pán y mermeladas caseras y café italiano. Durante el dia el trabajo es duro y contínuo: llevar las cabras a pastar, tareas várias por la quinta, cosecha de cardo y hacer queso, sacar las malas hierbas del huerto… Pero vale tanto la pena, de verdad. La energia que se pone en el trabajo es devuelta aumentada y no podíamos estar mejor, al final es verdad, vivir en el campo es maravillosamente cansado y recompensador, te trae una alegria que quién la conoce no quiere otra cosa. 

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Categories: WWOOFing | 5 Comments

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5 thoughts on “A desmistificação da vida de campo | Demystification of the country life | Desmitificación de la vida en el campo

  1. Isabel

    Muito boas notícias Rita!
    Quando tiveres a tua quinta vou fazer-te uma visita com os meus filhos!!! Até podes fazer workshops para escolas: Trabalhar um dia na quinta!!!!
    Um beijo e contunuação de uma otima viagem!
    Isabel (Albergaria)

  2. isabel ruiz diaz

    Es verdad la vida do campo es bien dificil, por isso muita gente troca esa vida por la ciudad, maisuna coisa e certa…. es bien mas recompensante. El contacto con la natureza y todo lo que respecta a vida en o campo. Mais vc tienen en sus manos una experiencia muito rica en todo los aspectos…aproveiten e muita sorte. un abrazo bien grande.

  3. Live with animals is just amazing… with time and observation you can little by little identify the behavior of each specie, the personality of each animal, and be connected with a mount of feelings they can transmit through their hearts. Enjoy lifestyle!

  4. Silvia Alegre

    Mana!! Espero que a vossa quinta seja no Uruguai para poder criar os nossos filhos juntos!!
    Mtos mtos bjnhos

  5. AMIGOS, estamos muy muy felices y profundamente orgullosos de saber que están cumpliendo su sueño !! de saber que todo esta corriendo bien !! al leer el post, es como escucharte contarlo Rita!!!! Seguimos sus pasos verdes ! un abrazo desde el alma.

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