Dia Internacional da Permacultura_3 | International Day of Permaculture_3

Este último post da série comemorativa do Dia Internacional da Permacultura vem um bocadinho tarde mas os dias de celebração são quando se quer e como este até é um tema muito central nesta nossa aventura, também não vai ser a última vez que falaremos nele.

Masanobu Fukuoka

É que falando de permacultura em agricultura não se pode deixar de falar do senhor Masanobu Fukuoka, agricultor e filósofo japonês que foi um dos grandes pioneiros da agricultura natural desde 1939 – já dissemos que isto da permacultura não é novidade não foi? Masanobu Fukuoka foi o segundo filho e herdeiro de uma família abastada sustentada pelos imensos pomares e arrozais que eram sua propriedade. Estudou na faculdade agrária (parece que um pouco contrafeito) e trabalhou em vários locais de investigação (onde o maior entusiasmo era ver pelo microscópio a fantástica biodiversidade presente na natureza), viveu a segunda guerra mundial e as cicatrizes que esta deixou no seu país. Até que teve um momento de inspiração e depois de anos de observação da natureza, de experiências nos pomares e arrozais da família e uma aproximação à agricultura numa perspectiva de “quanto menos se fizer melhor”, Fukuoka concluiu que para se ter sucesso há que deixar a natureza fazer o seu trabalho e interferir o menos possível. Resumiu o seu trabalho em quatro princípio básicos que transcrevemos em baixo. Uma observação apenas, é que Fukuoka desenvolveu o seu trabalho após muitos anos de experiências (boas e más) e os seus métodos, embora nós ainda não os tenhamos experimentado pessoalmente, são aparentemente eficientes mas demoram muito tempo a dar frutos (entre 5 a 10 anos consegue-se cerca de 15cm de solo novo e fértil). De qualquer forma sabemos que há muita gente a seguir os seus métodos e estamos ansiosos para descobrir mais.

Aqui segue então a transcrição dos quatro princípios básicos do método Fukuoka, traduzidos do site One Straw Revolution:

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  • A terra cultiva-se a si mesma. Não há necessidade da intervenção do Homem para fazer algo que as raízes, minhocas e micro-organismos fazem melhor. Além disso, arar o solo altera o ambiente natural existente e promove o crescimento de ervas daninhas. Assim, o primeiro princípio básico é não arar nem revirar o solo.
  •  Num ambiente natural e inalterado, o crescimento e decomposição de plantas e a fertilização do solo feita pela vida orgânica presente acontece sem qualquer ajuda do Homem. O decréscimo da fertilidade acontece apenas quando a flora original é eliminada a favor de cultivos exaustivos de alimentos ou de pastagens para alimentar gado. Adicionar fertilizantes químicos ajuda o crescimento das plantas cultivadas mas não o solo, que continua a deteriorar-se. Nem o composto ou estrume de galinha conseguem ajudar num ambiente natural porque, segundo o que pode concluir nos seus estudos, o estrume de galinha pode causar doenças no grão do arroz. Então, o segundo princípio básico de Fukuoka é: não utilizar fertilizantes químicos ou composto preparado. Em vez disso, ele promove culturas de cobertura do solo como o trevo e alfafa que agem como fertilizantes naturais.

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  • As ervas daninhas são em todo o lado as grandes inimigas do agricultor. Mas Fukuoka observou que quando parou de arar o solo, a sua população de ervas daninhas diminuiu significativamente. Isto aconteceu porque, na realidade, arar traz à superfície sementes de ervas que estavam dormentes uma camada inferior do solo e assim, dá-lhes oportunidade de germinar. Assim, lavrar a terra não é uma solução para as ervas daninhas, nem os herbicidas químicos, que perturbam o equilíbrio da natureza e deixam veneno no solo e na água. Há uma forma mais simples. Para começar, as ervas daninhas não têm de ser eliminadas totalmente; podem ser suprimidas com grande sucesso espalhando palha no terreno recentemente cultivado e cobrindo o solo. Eliminar os intervalos entre um cultivo e outro através da plantação cuidadosamente cronometrada é essencial. Não é necessária a remoção de ervas daninhas ou o uso de herbicidas no terceiro princípio de Fukuoka.
  • Finalmente, o que fazer com as pragas e doenças? Á medida que os campos de cereais e pomares de Fukuoka começaram cada vez mais a parecerem-se com um ambiente natural – com a proliferação de uma variedade de plantas a crescer todas juntas – também estas criaram um habitat quase natural para pequenos animais. Nestes habitats, Fukuoka notou que o equilíbrio inerente da natureza não permitia que uma espécie só ganhasse o controlo sobre as outras: as cobras comem as rãs que comem os insectos, etc. Além disso, as infestações de insectos e doenças atacam as plantas mais fracas, deixando as mais fortes proliferar abundantemente. Embora soluções químicas possam ser eficazes contra pragas e doenças a curto prazo, a longo prazo eles são perigosos. Para além da poluição que deixam para trás, eles permitem que plantas fracas e químico-dependentes sobrevivam. Deixadas sozinhas, a natureza prefere os indivíduos mais fortes. (como nota nossa, após as investigações de Fukuoka também já se concluiu que a utilização permanente de pesticidas permite que as próprias pragas e doenças desenvolvam uma maior resistência aos químicos utilizados, gerando uma batalha sem fim em que cada vez se tem de utilizar químicos mais fortes para controlar pragas e doenças cada vez mais resistentes.) O quarto princípio básico de Fukuoka é: a não dependência de pesticidas químicos.

Para mais informações sobre os métodos de Masanobu Fukuoka vejam:

One Straw Revolution

Masanobu Fukuoka – Wikipédia

Entrevista de 1986, por Robert e Diane Gilman (em inglês)

Compilado de informação sobre M. Fukuoka (em inglês)

Joaninha com cor

This last post from the series celebrating the International Permaculture Day comes a little late but celebration comes when we wish it and because this is a subject that is central in our adventure, it will not be the last time we will talk about it.

It’s just that if we talk about permaculture and farming we can’t not mention Masanobu Fukuoka, farmer and philosopher that has been one of the great pioneers of natural farming since 1939 – we did mention that this permaculture thing is now new didn’t we? Masanobu Fukuoka was the second child and heir of a wealthy japanese family who had vast lands of rice and orchards. He studied at the Agricultural College (a somewhat laid back student it seems) and worked in several places in agricultural research where his enthusiasm for the amazing show put on by nature started, he lived through the second world war and the scars it left in his country. Then he had a moment of inspiration and after years of observing nature, experimenting in the family orchards and rice fields and an approach to nature in a “the less you do the better” perspective, Fukuoka concluded that in order to succeed one has to let nature do its work and interfere the less possible. He then resumed his method in four basic principles which we transcribe below. As a comment, Fukuoka developed his work during a long period of trial and error and his method, although we have not yet had the chance of trying it ourselves, are apparently very efficient but take quite a while for results to be obvious (it takes 5 to 10 years to create about 6 inches of fertile soil). Still we know there are many people following his guidelines and we are anxious to learn more.

So here are the four basic principles of the Fukuoka method, transcribed from the website One Straw Revolution:

  • The earth cultivates itself, observed Fukuoka. There is no need for man to do what roots, worms, and micro-organisms do better. Furthermore, plowing the soil alters the natural environment and promotes the growth of weeds. Therefore, his first principle is: No plowing or turning of the soil.
  •  Secondly, in an unaltered natural environment the orderly growth and decay of plant and animal life fertilizes the soil without any help from man. Fertility depletion occurs only when the original growth is eliminated in favor of soil-exhausting food crops or grasses to feed cattle. Adding chemical fertilizers helps the growing crop but not the soil, which continues to deteriorate. Even compost and chicken dung cannot improve on nature, he concluded; moreover, chicken dung can cause the disease rice blast. Therefore Fukuoka’s second principle is: No chemical fertilizers or prepared compost. Instead he promotes cover crops like clover and alfalfa which natural fertilizers.
  • Weed is everywhere the enemy of the farmer. Yet Fukuoka observed that when he ceased plowing, his weed population declined sharply. This occurred because plowing actually stirs deep-lying weed seeds and gives them a chance to sprout. Tillage therefore not the answer to weeds. Nor are chemical herbicides, which disrupt nature’s balance and leave poisons in the earth and water. There is a simpler way. To begin with, weeds need not be wholly eliminated; they can be successfully suppressed by spreading straw over freshly sown ground and by planting ground cover. Eliminating intervals between one crop and another through carefully timed seeding is essential. No weeding by tillage or herbicides is Fukuoka’s third principle.
  • Finally, what to do about pests and blights? As Fukuoka’s grain fields and orchards came more and more to resemble a natural ecology — with the proliferation of plant varieties growing all ajumble — they also created a nature-like habitat for small animals. In such a habitat, Fukuoka noted that nature’s own balancing act prevented any one species from gaining the upper hand: snakes eat the frogs which eat the bugs, and so on. Furthermore, insect infestations and diseases attack the weakest plants, leaving the strong to fruit more abundantly. (A blight-reduced rice field, he says, may actually yield larger quantities of grain than one left untouched.) Although chemical solutions can be effective against pests and plant diseases in the short run, in the long run they are hazardous. Wholly aside from the pollution they leave behind, they permit weak, chemical-dependent plants to survive. Left to itself, nature prefers hardier stock. Fukuoka’s fourth principle is: No dependence on chemical pesticides.

For more information we suggest you visit these websites:

One Straw Revolution

Masanobu Fukuoka – Wikipedia

Interview from 1986, by Robert and Diane Gilman

Compilation of information on M. Fukuoka

Joaninha com cor

Este ultimo post de la serie comemorativa del Dia Internacional de la Permacultura llega un poco tarde pero los días de celebración son cuándo se quiere y como este es un tema muy central en nuestra aventura, tampoco va a ser la ultima vez que hablamos de él.

Es que si uno habla de permacultura en agricultura no se puede no decir algo sobre el señor Masanobu Fukuoka, agricultor y filosofo japonés que fui un pionero en la agricultura orgánica desde 1939 – ya dijimos que esto de la permacultura no es novedad no? Masanobu Fukuoka fue el segundo hijo y heredero de una familia acaudalada con enormes propiedades con plantaciones de àrboles frutales y arroz. Estudió en la Facultad Agraria (donde era un estudiante poco dedicado) y trabajo en varios lugares de investigación (donde empezó su entusiasmo por el maravilloso espectáculo que es la naturaleza), vivió la segunda guerra mundial y las cicatrices que dejó en su país. Hasta que tuvo un momento de inspiración y después de tantos años observando la naturaleza, de experimentar en las plantaciones de árboles frutales y arroz de la familia y de un acercamiento a la agricultura en una perspectiva de “cuánto menos se hace mejor”, Fukuoka concluyó que para tener éxito hay que dejar la naturaleza trabajar y intervenir lo menos posible. Resumió sus ideas en cuatro principios básicos que transcribimos abajo. Como nota queríamos agregar que Fukuoka desarrolló su trabajo a lo largo de muchos años de experimentos (buenos y malos) y sus métodos, aunque nosotros todavía no lo hemos probado personalmente, son aparentemente muy eficientes pero llevan su tiempo en dar retorno (demora entre 5 a 10 años para tener unos 15 cm de tierra fértil). De cualquier manera, sabemos que hay muchos seguidores de este método y estamos ansiosos por descubrir más. 

Sigue entonces la transcripción de los cuatro princípios básicos del método de Fukuoka, traduzidos del site One Straw Revolution:

  • La tierra se cultiva a si misma. No hay necesidad que el Hombre intervenga para hacer algo que las raíces, lombrices y micro-organismos hacen mejor. Además, labrar la tierra cambia el ambiente natural y promociona el crecimiento de hierbas malas. Así, el primer principio básico es no arar ni roturar. 
  • En un ambiente natural y no alterado, el crecimiento y descomposición de plantas y la vida animal fertilizan la tierra sin cualquier ayuda del Hombre. La disminución de la fertilidad ocurre solo cuándo la flora natural es eliminada en favor a los cultivos exhaustivos de alimentos o pastoreo para el ganado. Agregar fertilizantes químicos ayuda al crescimento de los cultivos pero no la tierra, que sigue a degenerarse. Hasta el compost y el estiércol de gallina no pueden mejorar en la naturaleza, concluyó; además el estiércol de gallina puede causar enfermedades al grano del arroz. Entonces el segundo principio de Fukuoka es: Nada de fertilizantes químicos ni compost preparado. En vez de eso él promociona cultivos de cobertura como el trébol y la alfafa que funcionan cómo fertilizantes naturales. 
  • Las hierbas malas son en todos lados las inimigas del agricultor. Aún así, Fukuoka observó que cuando dejó de  arar, vio la población de hierbas malas decaer rápidamente. Esto ocurre por que labrar hace con que las semillas que estaban durmientes en la tierra suban a la superficie y tengan una oportunidad de germinar. La labranza no es, entonces, la solución para las hierbas malas. Ni lo son los herbicidas químicos, que perturban el equilibrio natural y dejan venenos en la tierra y en el agua. Hay una manera más simples. Para empezar, las hierbas no tienen de ser todas eliminadas; pueden ser suprimidas con suceso desparramando paja sobre el suelo recién sembrado y plantando una cobertura para el suelo. Eliminado los espacios entre cada cultivo con una siembra cuidadosamente cronometrada es esencial. No es necesario remover las hierbas malas labrando ni con el uso de herbicidas en el tercero principio de Fukuoka.
  • Finalmente, que hacer con las plagas y las enfermedades? A medida que los campos de grano y plantaciones de arboles frutales de Fukuoka se empezaron a parecer cada vez más a una ecologia natural – con la proliferación de muchas variedades de plantas creciendo mescladas – también se creó un hábitat casi natural para pequeños animales. En este hábitat, Fukuoka vio que el equilibrio de la naturaleza evitaba que una sola especie saliera ganadora: las serpientes comen las ranas que comen los insectos, etc. Además, la infestación de insectos y enfermedades atacan a las plantas más débiles, dejando las más fuertes dar fruto más abundantemente. Aunque las soluciones químicas puedan ser eficaces contra plagas y enfermedades a corto plazo, a largo plazo son peligrosos. Aparte de la polución que dejan, permiten que plantas débiles y químico-dependientes resistan. Dejada sola, la naturaleza prefiere lo más fuerte. (una nota nuestra, después de las investigaciones de Fukuoka, también ya se concluyó que la utilización permanente de pesticidas hace que las propias plagas y enfermedades sean cada vez más resistentes a los químicos utilizados, generando una batalla sin fin en que cada vez se tiene que utilizar más químicos y más fuertes para controlar super-plagas y enfermedades.)El cuarto principio es: la no dependencia de pesticidas químicos.

Para más informaciones sobre los métodos de Masanobu Fukuoka vean:

One Straw Revolution

Masanobu Fukuoka – Wikipédia

Entrevista de 1986, por Robert y Diane Gilman (en inglés)

Compilado de información sobre M. Fukuoka (en inglés)

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